Lula tende a ser reeleito por ausência de Bolsonaro, direita dividida e máquina pública a favor do governo, diz imprensa internacional

A imprensa internacional e as principais consultorias de risco político têm dito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o favorito para as eleições de outubro, com base em três fatores estruturais: a ausência de Jair Bolsonaro na disputa, a fragmentação da direita em torno de Flávio Bolsonaro como candidato alternativo, e a vantagem que a máquina pública proporciona a incumbentes no ciclo eleitoral brasileiro.
O Financial Times incluiu a reeleição de Lula entre suas 20 apostas políticas globais para 2026. “Salvo se ocorrer um problema de saúde de última hora, Luiz Inácio Lula da Silva é o favorito para vencer a eleição de outubro, mesmo aos 80 anos”, escreveu o jornal britânico. A análise cita economia robusta, capacidade comprovada de campanha e desorganização do campo bolsonarista como os pilares do favoritismo.
O Financial Times externa ainda que Lula chega à eleição beneficiado por ser o único candidato com estrutura nacional consolidada num campo em que a direita precisou improvisar uma candidatura após a prisão de Bolsonaro. A The Economist, por sua vez, discorda do favoritismo por razões distintas. Não contesta a liderança nas pesquisas, mas argumenta que Lula não deveria disputar a reeleição por causa da idade.
A consultoria Eurasia Group, referência em análise de risco político para investidores globais, revisou suas projeções em julho e elevou para 60% a probabilidade de Lula conquistar um quarto mandato. A modificação considerou a recuperação dos índices de aprovação do presidente, a desaceleração da inflação de alimentos e o impacto da reforma do Imposto de Renda sobre a percepção do eleitorado de baixa renda.
A Eurasia argumentou que análises anteriores haviam subestimado a resiliência da base eleitoral petista e o efeito das políticas de transferência de renda sobre o comportamento do voto. A consultoria reconhece, porém, que o pleito eleitoral segue competitivo e que Flávio
Bolsonaro mantém capacidade real de segundo turno.

